Dilma: Moro escondeu a verdade sobre o golpe de 2016
A ex-presidente Dilma Roussef escreve sobre a mais recente revelação da Vaza Jato, sobre o fato de SĆ©rgio Moro ter orientando seu parceiro Deltan Dallagnol a nĆ£o pedir a apreensĆ£o dos celulares do entĆ£o deputado Eduardo Cunha, agora preso. Moro "queria esconder as razƵes espĆŗrias do golpe de 2016". Leia a Ćntegra do artigo:
Um dos fatos mais graves que mostram o viĆ©s polĆtico e a parcialidade do ex-juiz SĆ©rgio Moro, hoje ministro da JustiƧa de Bolsonaro, foi revelado em nova reportagem do Intercept, em parceria com o site BuzzFeed. Fica evidente que Moro orientou o chefe da forƧa-tarefa, Deltan Dallagnol, a nĆ£o pedir a apreensĆ£o dos telefones celulares de Eduardo Cunha, diferentemente do que ocorreu em relação a outros rĆ©us.
Dallagnol recebeu, em 18 de outubro de 2016, instruƧƵes do ex-juiz Moro, em conversa pessoal. No mesmo dia, informou aos seus colegas procuradores o resultado dessa conversa com Moro: “Conversamos aqui e entendemos que nĆ£o Ć© caso de pedir os celulares, pelos riscos, com base em suas ponderaƧƵes”, afirmou num aplicativo Ć sua equipe. Quais riscos? Riscos para quem? Que ponderaƧƵes?
No dia seguinte, 19 de outubro, Eduardo Cunha, o piloto do golpe que derrubou meu governo, por meio de um impeachment sem crime de responsabilidade, foi preso, condenado por corrupção, sem que seus celulares tenham sido apreendidos.
O ex-juiz Moro se defende atribuindo as divulgações da Vaza Jato a falsificações de hackers. Neste caso particular, os fatos desmentem seus argumentos, mostrando de forma incontroversa sua perseguição ao PT e sua descarada parcialidade.
OS TELEFONES CELULARES DE EDUARDO CUNHA NĆO FORAM APREENDIDOS, E ISTO Ć UM FATO QUE NĆO DIZ RESPEITO A HACKERS.
Independe da Vaza Jato. A pergunta Ć© por que o ex-juiz Moro nĆ£o queria que se revelassem as ignóbeis condiƧƵes que cercaram o impeachment? Para proteger o governo ilegĆtimo de Temer? Proteger os cĆŗmplices do golpe? Os financiadores do golpe? Setores da mĆdia que insuflaram o golpe?
Isso não exclui que a razão do privilégio estivesse acrescida também da ânsia de poder de um juiz da primeira instância que procurava, a qualquer custo, evitar que o controle e o conhecimento dos fatos fugisse de suas ambiciosas mãos.
Mas, sobretudo, queria esconder as razões espúrias do golpe de 2016.
Tem razão o ex-senador Roberto Requião, que entende que o privilégio que Moro e os procuradores da Lava Jato deram a Eduardo Cunha impediu que a sociedade brasileira tivesse acesso a um arquivo de informações reveladoras sobre o golpe, quem o financiou e quem foi beneficiado.
A manifestação de RequiĆ£o: “A nĆ£o apreensĆ£o do celular do Cunha impediu que tomĆ”ssemos conhecimento das articulaƧƵes do impeachment da Dilma, que interesses o financiaram e a quem aproveitaria? Ć isto Moro? Ć isto Dalagnol?”
Fonte:Brasil 247

